2 Samuel 3OL

1Estes foram os acontecimentos que deram origem a uma longa guerra entre os que tinham sido seguidores de Saul e os que estavam do lado de David. A posição deste ia-se tornando cada vez mais forte, enquanto os apoiantes de Saul enfraqueciam cada vez mais.

2Vários filhos nasceram a David enquanto se encontrava em Hebrom. O mais velho era Amnom, filho de Ainoã.

3O segundo, Quileabe, nascido de Abigail, a viúva de Nabal do Carmelo. O terceiro, Absalão, que lhe deu Maacá, filha de Talmai, o rei de Gesur.

4O quarto era Adonias que nasceu de Hagite. A seguir, vinha Sefatias filho de Abital.

5O sexto era Itreão, de Egla, também mulher de David.

6À medida que a guerra continuava, Abner tornou-se um chefe poderoso dos seguidores de Saul.

7Aproveitando-se da sua posição, tomou para si uma das concubinas de Saul, uma rapariga chamada Rispa, filha de Aiá. Quando Isbosete o criticou por isso,

8Abner ficou furioso: “Sou algum cão judeu para ser escorraçado desta maneira? Depois de tudo o que fiz por ti e pelo teu pai, não vos entregando a David, é essa a recompensa que me dás, acusar-me por causa duma questão com uma simples mulher!

11Isbosete não lhe respondeu sequer uma palavra, porque tinha medo dele.

12Abner enviou então mensageiros a David para discutirem entregar-lhe o reino de Israel e em troca ficar com o cargo de general das tropas conjuntas de Israel e Judá.

13“Está bem”, disse David. “Mas não trato nada contigo enquanto não me trouxeres a minha mulher Mical, filha de Saul.”

14David enviou igualmente uma mensagem a Isbosete nestes termos: “Devolvam-me Mical, a minha mulher, que recebi em troca da vida de cem filisteus.”

15Então Isbosete tirou-a a Paltiel, filho de Laís.

16Este último foi atrás dela chorando, até Baurim, até que Abner lhe disse: “Volta agora para casa.” E ele voltou.

17Entretanto, Abner fez uma consulta aos anciãos de Israel e lembrou-lhes que durante muito tempo tinham desejado que fosse David o rei:

18“Chegou agora a altura! Porque o Senhor disse: ‘É com David que salvarei o meu povo dos filisteus e de todos os seus inimigos.’ ”

19Abner falou igualmente com os líderes de Benjamim e depois foi a Hebrom relatar a David os progressos feitos junto do povo de Benjamim e de Israel.

20Havia vinte homens que o acompanhavam e David ofereceu-lhes um banquete.

21Antes de ir embora Abner prometeu a David: “Quando eu voltar convocarei uma assembleia de todo o povo de Israel e serás eleito rei como sempre desejaste.” David deixou-o ir em paz.

22Pouco depois de Abner se ter despedido, Joabe e alguns homens das tropas de David regressaram duma investida, trazendo muito despojo com eles.

23Quando disseram a Joabe que Abner tinha acabado de fazer uma visita ao rei e se tinha retirado em paz,

24este foi a correr ter com David e perguntou-lhe: “Que foi que fizeste? Que pretendes ao teres deixado esse indivíduo retirar-se em paz?

25Sabes perfeitamente que veio apenas para nos espiar; o que ele quer é voltar e atacar-nos!”

26Então Joabe mandou emissários para irem apanhá-lo e dizer-lhe que voltasse. Encontraram-no no poço de Sira e ele aceitou voltar. Contudo, David nada sabia do que se estava a tramar.

27Quando Abner chegou de novo a Hebrom, Joabe tomou-o à parte, junto à porta da povoação, como se quisesse falar-lhe em particular, e apunhalou-o na barriga, matando-o por vingança da morte do seu irmão Asael.

28Quando David soube disto, declarou: “Estou inocente, tanto eu como o meu povo, deste crime contra Abner.

29Os únicos culpados são Joabe e a sua família. Que cada um dos seus filhos venha a ser vítima ou de cancro, ou de lepra, ou seja estéril, ou venha a morrer de fome, ou seja morto pela espada!”

30Assim, Joabe e o seu irmão Abisai mataram Abner, porque ele tinha morto o irmão deles, Asael, na batalha de Gibeão.

31David disse a Joabe e a todos os que estavam com ele: “Rasguem as vossas roupas, e vistam-se de panos de saco. Vamos lamentar a morte de Abner.” No funeral, o rei David ia atrás da urna

32até ao local onde seria enterrado em Hebrom. David e o povo choraram o morto à beira do túmulo.

33David lamentou assim a morte de Abner: “Porque haveria Abner de ter morrido como um miserável?

34Não tinhas as mãos atadas, não tinhas os pés em cadeias, e contudo foste assassinado, vítima de uma cruel cilada.” E todo o povo fez luto.

35David recusou comer fosse o que fosse, ainda que o povo insistisse para que comesse alguma coisa. Mas ele fez voto de não provar nada até ao pôr-do-sol.

36Isto agradou a toda a gente como tudo o que fazia.

37Dessa forma, toda a nação, tanto Judá como Israel, compreendeu pelas ações de David que ele não era responsável pela morte de Abner.

38David disse ainda ao povo: “Um grande chefe, um grande homem, tombou hoje em Israel.

39Ainda que eu seja o rei escolhido por Deus, nada posso fazer perante a dureza destes dois filhos de Zeruía. Que o Senhor recompense os malfeitores pelas suas maldades!”

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